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Branding e cultura de dentro para fora

  O tema de branding (construção de marcas) só conversa com executivos que olham para a empresa além do tempo e do lucro. Branding é sobre sustentabilidade do negócio e visão de longo prazo. É sobre vender a empresa além do produto. E em uma época em que o marketing é cada vez mais sobre autenticidade e conexão, não basta ter um bom produto. As marcas que realmente se destacam hoje têm algo em comum: elas são construídas de dentro para fora. Isso faz parte da cultura organizacional. É aí que tudo começa, do plano de negócios ao plano de marketing. A HP é um exemplo de cultura forte com seu famoso “HP Way”, que virou livro escrito pelo seu próprio fundador, David Packard. O “jeito HP” era mais do que uma lista de valores – era a essência da empresa, um compromisso com a inovação, respeito aos colaboradores e o desenvolvimento constante. Essa cultura fazia com que as pessoas dentro da HP se sentissem parte de algo maior, transformando a empresa em uma marca que as pessoas queriam seg...

A nova campanha do Airbnb e os superlativos no marketing

  A atual campanha global do Airbnb é um respeito entre tantas campanhas superlativas que vemos por aí, pois mostra que você não precisa do melhor produto, mas da melhor solução para aquele momento. Por muito tempo, e ainda hoje, a propaganda mundial tem sido inundada por textos superlativos: “a sua melhor escolha”,  “você não pode perder”, “irresistível”. De comerciais a embalagens e frases de vendedores, eles estão em todos os lugares e parecem insistir em uma persuasão que, muitas vezes, funciona, mas que quando exagerada é muito cansativa. Esse exagero ocorre quando as marcas esquecem algo básico: o respeito à inteligência e ao poder de decisão do consumidor. Isso não significa que uma propaganda não deve persuadir, afinal, ela existe para isso também. Mas existem inúmeras maneiras e momentos de convencer a uma venda, e não necessariamente todas precisam envolver persuasão explícita. A era dos influenciadores, por exemplo, mal começou e já está saturada de textos que insis...

Sobre o caso da G4 Educação, empresas Founder-Led-Growth e escolhas conscientes

 Como a polêmica com a G4 educação reflete o conceito de Founder-Led-Growth, a jornada do consumidor cada vez mais consciente e o futuro do marketing 3.0. Na semana passada o sócio do grupo G4 Educação, Tallis Gomes, fez um lamentável comentário sobre a posição das mulheres nos cargos de CEO, o que resultou em sua saída da empresa e, espero, em uma revisão de conceitos sobre o assunto. Você pode saber mais sobre este caso aqui . Não quero aqui entrar na polêmica do assunto em si, mas destacar o quanto este episódio reforça o caminho que o mercado vem tomando para empresas cada vez mais transparentes e executivos cada vez mais expostos. A web 2.0 deu início a esse movimento, que cresceu em volume com a recente ascensão dos influenciadores e a superexposição que a internet e as redes sociais promovem. Por muito tempo (e ainda hoje) empresas faziam uso de garotos propaganda para entregar credibilidade a sua marca. George Clooney posando junto a uma xícara de café da Nespresso em todos...

A Era do Conteúdo Interrompido: Reflexões sobre Propaganda nas Olimpíadas de Paris

  As Olimpíadas de Paris se encerraram neste último domingo, proporcionando um espetáculo marcado pela beleza e pelo encanto das paisagens de uma cidade rica em história, mas também suscitando diversas questões sobre sua organização e execução. No campo da propaganda e marketing, algumas ações despertaram reflexões importantes, especialmente no que diz respeito ao merchandising e product placement. O evento trouxe exemplos notáveis, mas também alguns que, ao meu ver, cruzaram os limites da propaganda. LVMH (Louis Vuitton) A holding LVMH, proprietária da marca de luxo Louis Vuitton, entre outras, investiu fortemente em Paris. Estima-se que tenham sido aplicados 150 milhões de euros (cerca de 1 bilhão de reais) em ações relacionadas às Olimpíadas. Os maiores destaques foram a confecção das medalhas pela relojoaria Chaumet, do grupo, o uniforme da equipe francesa na cerimônia de abertura, produzido pela marca Berluti, e as bandejas das medalhas, elaboradas pela própria Louis Vuitton. ...

Alta performance sustentável

Como o esporte de alta performance inspira o nosso dia-a-dia, e como essa inspiração é romantizada e pode fazer muito mal. O esporte sempre foi uma grande representação de sucesso. Normalmente, quando pensamos nessa palavra, surgem imagens de um pódio, uma medalha de ouro, o topo de uma montanha ou um troféu. Ser o primeiro em algo ainda fascina e encanta. As Olimpíadas que se aproximam talvez sejam a maior representação desse auge. É o local onde os esforços serão recompensados e todo o trabalho terá valido a pena. Vale lembrar que, na última edição, em 2021, em Tóquio, foram cerca de 11 mil participantes e 1.800 medalhas entregues. Ou seja, apenas 16% dos participantes receberam medalhas, considerando que ninguém recebeu mais de uma medalha, o que não é o caso. Fazendo uma média (com o apoio do ChatGPT), essa porcentagem reduz para 12%. Ou seja, o topo mesmo, o auge, é para muito poucos. Ter esses atletas de alta performance como inspiração para nossa vida é muito bom. O esporte faz ...

O Brasil é para amadores

O que a tragédia no RS nos diz sobre nós, e o quanto a nossa maneira de ver o mundo é perigosa e suscetível a grandes falhas. Segundo meu conhecimento, a aviação comercial é uma das áreas que possui um protocolo de segurança extremamente eficiente e organizado. Quando ocorre um raro desastre aéreo, dificilmente se dá por uma única falha, mas por várias situações que, por um motivo ou outro, saíram do planejado e resultaram em acidentes. Obviamente ele não é isento de falhas, mas reduz enormemente esse risco. O exemplo da aviação, infelizmente não é visto em outras tantas áreas, onde parece que os cuidados com segurança e prevenção não são as principais prioridades. Uso como exemplo a indústria da alimentação e a gigantesca quantidade de ultraprocessados que hoje fazem parte da rotina de bilhões de pessoas. Não é difícil conectar que a saúde dos consumidores não é lá uma das principais preocupações dessas empresas. O Rio Grande do Sul está vivendo uma tragédia anunciada há muito tempo. ...

Sobre jornalismo, marketing e uma das maiores tragédias do país

Eu não entendo de prevenção de desastres, gestão de crises e ações do governo, mas entendo de jornalismo e marketing. E sobre esses dois pontos, a história tende a julgar o que aconteceu esta semana no país.  Jornalismo: Não é a maior tragédia do estado, é uma das maiores tragédias do país, e as demais regiões do Brasil demoraram ou ainda não estão entendendo o tamanho dessa escala. E parte dessa culpa recai sobre a mídia. A nível nacional não houve plantão, a programação seguiu sua transmissão normal e pouca, muito pouca prestação de serviços. O fato foi comunicado apenas de maneira jornalística. Em tragédias, o jornalismo deixa de ser veículo de comunicação e passa a ser serviço público. Para não ficarmos apenas pensando em TV e rádio: eu assino uma newsletter diária de notícias que chega para milhões de pessoas em todo o país. No dia 2 de maio, a newsletter utilizou três linhas para comunicar sobre o Rio Grande do Sul. Três linhas. O jornalismo não é mais mecânico, e os termos,...