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São Paulo, um cachimbo e uma conversa

Ontem tive uma noite muito especial, atípica. Depois de mais um dia corrido e cansativo, resolvi subir na cobertura do hotel e apreciar a vista da maior cidade do país. O local estava vazio, com exceção de um senhor de 75 anos que, sentado em uma cadeira, fumava seu cachimbo solitariamente. Aproximei-me ao lado e comentei qualquer assunto rotineiro. Dai adiante começamos uma conversa que durou mais de duas horas. Dentre os assuntos, abordamos filosofia, literatura, religião, vida, morte, sociedade, mitologia, história, pré-história, capitalismo, dinheiro, acaso, destino, vida, morte, escolhas, família, infância, velhice, felicidade... Este senhor, que por fim, me proibiu de chama-lo assim, era arquiteto e professor aposentado. Ali, me deu aula sobre a vida. Passei a maior parte do tempo o ouvindo e nunca uma pessoa me falou tanto utilizando palavras tão nobres como alegria, agradecimento, dádiva, otimismo, nobreza. Os temas, assim como as palavras enriqueciam a conversa que não ce...

Goodbye Breaking Bad (e discursos sobre o futuro da televisão)

(com spoilers) Breaking Bad terminou há duas semanas, mas a passagem da série merecia destaque neste blog. Depois de dias tumultuados, eis que surge uma hora de folga para descrever tudo o que foi Breaking Bad em poucas palavras. De início, vale destacar o marco que a série estabelece na história da TV. Nunca fui um grande apreciador de séries e deixando de lado comédias e sitcoms, são poucas as que acompanhei do início ao fim e mais raras ainda aquelas que após o término, me deixaram tão órfão. Posso dizer que o primeiro caso aconteceu com Breaking Bad.                 E por acompanhar pouco as séries americanas, não posso afirmar que ela foi a melhor já produzida (como a critica vem dizendo), mas posso afirmar, sem erros, que foi a melhor que já assisti.  Vamos aos motivos dessa afirmação: Breaking Bad foi produzida pelo canal pago AMC, que tem a maior parte de sua renda vinda de seus assin...

Qual é a verba de um sonho?

No início desse mês conheci a história de Diana Nyad, uma norte-americana de 64 anos e exemplo vivo de persistência e coragem. Diana é nadadora de longas maratonas e tinha um sonho: aos 28 anos de idade tentou atravessar a nado os 177 quilômetros que separam Cuba da Flórida, nos Estados Unidos. A tentativa acabou não dando certo, depois de nadar cerca de 50 horas, precisou ser retirada da água. Quando completou 60 anos de idade, Diana retomou seu antigo sonho, prometeu a si mesma que seria a primeira a pessoa a atravessar o estreito que separa os dois países sem utilizar uma jaula anti-tubarões. Foram quatro anos de treinamentos, onde passava de oito a doze horas diárias embaixo d’água. Para manter a concentração, ela decorou uma lista de 65 canções, as quais eram repetidas sistematicamente buscando não pensar em nada além de nadar. O relato que ela escreveu em 1978 arrepia: “ Imagine nadar continuamente por quinze horas. Quinze horas na dura e fria água do oceano. Quinze h...

Sobre marketing e como mudar o mundo!

Há algum tempo atrás escrevi sobre storytelling, a não mais nova maneira utilizada pelas empresas para se relacionar com seus clientes. Cada vez mais a ferramenta vem provando sua eficiência para engajar o público alvo e trazer simpatizantes a marca. Em um exemplo recente e que vem dando muito certo, o banco Itaú utiliza da expressão #issomudaomundo em uma gigantesca campanha institucional aonde prega ações que definitivamente podem mudar o mundo, como por exemplo, educação e sustentabilidade. O projeto que iniciou tímido, apenas para as redes sociais, alcançou a tv aberta e vem gerando várias ações destacáveis, como as bicicletas laranjas, disponibilizadas nas principais capitais do país.                 O projeto #issomudaomundo engloba todos os canais de comunicação possíveis, e principalmente, transforma uma ideia em atitudes, seja com seus funcionários, clientes e a sociedade em geral. Não encontrei núm...

Sobre o tempo

Tenho uma paixão que é de conhecimento geral: o cinema. E tenho um arquirrival que bloqueia meus antigos encontros semanais (houve épocas que diários) com a sétima arte: o tempo (ou melhor dizendo, a falta dele). Cansado de procurar espaços em agendas cada vez mais cheias, busquei uma solução para uni-los. Algo que não me alienasse do cinema, mas que também não consumisse todo o meu tempo. A solução encontrada foi simples e prática: curtas-metragens. Pílulas cinematográficas de 5 a 10 minutos que envolvem boa parte da essência que os filmes proporcionam.                 Quisera o destino que uma das primeiras películas que assisti tratava do assunto que foi o motivo da minha vinda ao mundo dos curtas: o tempo. E é sobre ele que me debruço durante esse texto. O curta em questão chama-se Contre Temps , uma produção francesa de 2012 produzida pela Supinfocom, uma das mais respeitadas escolas de an...

A humanidade é desumana

Fazia tempo que queria escrever um texto que falasse sobre humanos. Para mim é um tema recorrente. Tão recorrente que, há muito tempo, cheguei a criar um pensamento filosófico (bem piegas) falando sobre isso. O nome era “humanismo” escrevia sobre a forma como o mundo é mundo, como chegamos onde estamos e o custo (material e pessoal), que custo para chegarmos a “civilização moderna”.                 Tentei criar um pensamento regressivo, onde todos agissem como pensassem, abdicassem de males como a ganância e a ambição e partirem de encontro à humildade e o cooperativismo. Utopia pura! Mas na minha cabeça inocente acreditava que sim, era possível reescrever um pouco da história. Ora, não é só de males que vive o mundo. Ainda acredito profundamente que existem pessoas de bem, que lutam por um mundo melhor e veem isso, não como forma de status ou “boa ação” (expressão incoerente e falsa essa “boa ação”). ...

Magnólia

Resolvi filosofar sobre cinema! Tirei três horas do feriado para rever Magnólia. Em minha opinião, um dos mais belos filmes que já produzidos. O filme é de 1999, tem a direção de Paul Thomas Anderson e um elenco cheio de estrelas. É formado basicamente de histórias e diálogos. Na primeira vez que o vi, o filme já me ganhou. Tanto que, na época, comprei uma fita VHS para tê-lo em casa. Na verdade duas, pois os 168 minutos do longa não eram suficiente para a tecnologia da época. Assim como toda a riqueza do filme não é possível de ser captada assistindo apenas uma vez.                 Dentre suas dezenas de metáforas e reflexões, dois temas seguem sendo os que mais me prendem atenção: perdão e arrependimento. Em Magnólia acompanhamos o desenrolar de um dia na vida de seus nove protagonistas durante etapas difíceis que vem enfrentando. Durante essas 24 horas muitos chegarão ao seu limite, ao estágio f...