Pular para o conteúdo principal

O Clube do Povo




O Inter caiu porque esqueceu que é o Clube do Povo. Mudou um dos slogans mais incríveis do mundo para "O Campeão do Tudo", algo passageiro e principalmente arrogante. Arrogância essa que acompanhou toda a gestão de Vitório Píffero e que nos levou aonde estamos hoje.

Gosto de analogias futebolísticas, e o Inter adora imitar a vida. Para nós, colorados que viveram os anos 90 e início dos 2000, o que aconteceu com o nosso time em 2006 foi algo fora do comum. Vivemos anos gloriosos, inesquecíveis. Era bom ser colorado!

Alcançamos o topo do mundo, e tínhamos todas as condições de nos mantermos lá em cima: um estádio fantástico, investidores, patrocínios, mídia a todo instante, uma excelente categoria de base, boas gestões e principalmente, uma torcida fanática e apaixonada. Éramos 130 mil sócios. O maior clube do Brasil e entre os dez maiores do mundo. Vivíamos anos gloriosos.

Mas como a vida, nada dura para sempre. E a boa fase passou. O sucesso subiu à cabeça, achamos que éramos imbatíveis e sucumbimos. Não uma, várias vezes.

As boas gestões viraram trabalhos apagados, sem expressão. Até que nesta última, o ego e a soberba começaram a falar mais alto.

Interesses falaram mais que a instituição e o Inter sofreu. Sofreu demais com sequencias gigantescas de erros que não precisam ser citados, mas que machucavam muito mais do que o empate do último domingo.

Talvez por isso, não tenha sentido tanto o rebaixamento. Era algo que esperávamos e francamente, merecemos!

Mas nada me tira que essa queda começou quando esquecemos o Clube do Povo para virar o Campeão de Tudo. Não quero o Inter Campeão de Tudo. Não foi o Inter Campeão de Tudo que venceu a Libertadores 2006, o Mundial e o Bi em 2010. Quem ganhou tudo isso foi o Clube do Povo. O Campeão de Tudo veio depois, e ganhou... gauchões...

Assim como os azuis, que depois de se auto proclamarem imortais, não ganharam mais nada. Assim nós, nos autointitulamos Campeão de Tudo, e esquecemos o rumo das vitórias.

Por fim, espero que 2017 seja um ano de muito regresso para o Inter. Que iniciemos de novo, que esqueçamos o Campeão de Tudo. Que voltemos a lutar em campo, a disputar toda dividida, a gritar na hora do gol e a nos orgulhar novamente desse time.

Que 2017 faça o Inter voltar a ser o Clube do Povo como grita o nosso hino, que tenhamos humildade de recomeçar e aceitar que erramos. E que voltemos, mais fortes, mais unidos e mais colorados!


Vamo Vamo Inter!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O amor é a flor da pele e eterno!

“Antigamente, se alguém tivesse um segredo que não quisesse partilhar, subiam uma montanha, procuravam uma árvore, abriam um buraco nela e sussurravam o segredo para dentro do buraco. Por fim, cobriam-o de lama e lá deixavam o segredo para sempre” A frase acima é dita por Chow Mo-Wang a seu amigo Ping, no filme Amor à Flor da Pele (2000), do diretor chinês Wong Kar-Wai, em uma das histórias de amor mais bem contadas do cinema, segundo muitos críticos. Kar-Wai consegue em seu filme dedicar ao amor a tradução que talvez mais o represente: a eternidade, ou o popularmente, até que a morte nos separe. Na história, conhecemos sr. Chow e a srta. Li-zhen Chan, os dois se mudam para Hong Kong da década de 60 com seus respectivos cônjuges no mesmo dia, onde ocupam quartos vizinhos de um mesmo edifício. Em comum, além do lugar onde vivem, os dois tem a ausência total dos parceiros, e posteriormente uma descoberta: seus cônjuges estão tendo um caso entre si. A descoberta aproxi...

O último adeus

 Passaram muitas coisas aqui dentro nesses últimos dias e semanas. Comecei e recomecei esse texto incontáveis vezes também. E a verdade é que não tem maneira fácil de iniciar essa escrita, talvez a mais difícil que já fiz. E não havendo, opto por deixar meu instinto conduzir o texto, e as palavras que mais gritam na minha mente hoje são legado e arte. Eu explico. Aos olhos de criança e de adulto, meu pai foi uma pessoa autosuficiente. Fazia absolutamente tudo aquilo em que se envolvia. Resolvia qualquer problema, falava sobre qualquer assunto, ouvia toda e qualquer pessoa, ajudava mesmo quem não conhecia sem pensar duas vezes. E enquanto esteve entre nós viveu várias vidas, a de pai, de irmão, de professor, de agricultor, de filho, de líder comunitário, de referência técnica, de amigo, de religioso, de conselheiro… E para cada uma delas, parecia que um novo lado dele se abria, ao qual possuía domínio invejável de todas as ferramentas e adaptação a contextos. Era o que hoje chamaría...

46º Festival de Cinema de Gramado: As Herdeiras; A Voz do Silêncio e Benzinho

Análise sobre os filmes vistos no 46º Festival de Cinema de Gramado: As Herdeiras (Las Heredeiras), de Marcelo Martinessi Vencedor de 6 Kikitos em Gramado. Melhor filme estrangeiro, melhor direção de filme estrangeiro, melhor atriz de filme estrangeiro para Ana Brum, Margarita Irún e Ana Ivanova, melhor roteiro de filme estrangeiro e prêmio especial do Juri e prêmio do Juri Popular para filmes estrangeiros. Nos cinemas Chela (Ana Brun) e Chiquita (Margarita Irún) são duas mulheres de meia idade que vivem juntas, porém diante de dificuldades financeiras optam por vender alguns móveis da casa. A situação se agrava quando Chiquita acaba presa, por dívidas não cumpridas. A partir de então acompanhamos Chela, que começa a oferecer caronas a amigas e conhecidas. Na produção paraguaia dirigida por Marcelo Martinessi, a história em si é o que menos importa. As viagens de carro de Chela, são plano de fundo para viajarmos ao interior dela própria, que se mostra uma tarefa nada ...